quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Lurdes, a estranha

Em uma sala de jantar comum, em uma cidade que podia ser qualquer lugar:

- Paula, sabe quem eu vi hoje? O Fulano.
- Onde Lurdes? Que saudade do Fulano!
- Foi numa padaria. Fiquei um tempão observando ele [ta bom vai, ela não falou isso. Mas foi isso que ela fez!].
- Como assim Lurdes?
- Sabe o que ia te falar? Sempre achei o Fulano tão...assim...estranho...
- Estranho?
- Ah Paula, assim, sei lá...tenho até medo de falar...mas acho que ele tem um jeitinho...assim...meio... assim...de gay.

Ahhhhhhh jura Lurdes do céu? Que boa observadora você! Merecia um prêmio de conhecimento e desvendamento da intimidade humana por ter descoberto este segredo tão escondido. Olha, Lurdes, o Fulano é tudo, menos estranho. Ele é inteligente, feliz, trabalhador, honesto, nada superficial, cuida da própria vida, criativo, gay, comunicativo, se conhece, amado, não engole sapo, não tem vergonha de ser quem é, cheio de amigos. Ele não colocou no jornal que é gay. Assim como você não colocou que não é. Mas ele está lá, feliz, gay, super gay, pra quem quiser ver.

Estranha é você!

(Tenho vergonha de falar qual a profissão da Lurdes...)

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